RELEMBRANDO GRANDES CRAQUES: NEY ROBERTO SANTANA DE MENEZES (NEY)


Nesta edição contaremos um pouco da trajetória de um dos maiores atletas do futebol parintinense na década de 70/80. Ney Roberto Santana de Menezes (o Ney) é o craque desta edição. Ney como conhecido por todos é filho de Zé Luiz de Menezes (um grande craque que também já contamos sua história aqui), nasceu no dia 04 de janeiro de 1953 na cidade de Manaus e veio para Parintins com 45 dias de vida. Sua primeira residência foi a Avenida Amazonas e aos 21 anos de idade casou-se com a professora Maria das Neves Xavier Menezes e tiveram juntos três filhos, ao todo o ele tem cinco filhos, sendo dois em relacionamento anterior ao casamento e, um dos filhos do primeiro relacionamento é o jogador Delmo, atleta conhecido no Estado. Ney também é formado em Normal Superior, trabalhou trinta anos como professor na Escola Estadual “Ryota Oyama”, atualmente é viúvo e reside na Rua Valdemar Queiros, Conj. da Sham, e aguarda pela merecida aposentadoria.

Trajetória 
Ney iniciou sua trajetória no futebol da primeira divisão em 1971, aos 18 anos, jogando na equipe do Sul América, na equipe permaneceu por um período de um ano, disputou uma final e foi vice-campeão, perdendo o título para a equipe do Nacional. Segundo ele na época o time do Nacional era um time considerado bom, formado por jogadores como: Sacurá, Jurandir entre outros. A segunda equipe de Ney foi a equipe do Estrela do Norte, na equipe estrelada permaneceu uma temporada. O ex-craque depois de atuar em duas grandes equipes passou a defender a equipe do Amazonas Futebol Clube. Na equipe Rubro Negra jogou de 1973 a 1983 e conquistou três títulos, sendo os de 1978, 1979 e 1983. Ainda foi campeão jogando pela Seleção Parintinense de Futebol pelo Intermunicipal vencendo a Seleção de Itacoatiara jogo realizado em Manaus. Em 1983, encerrou sua carreira como atleta no Esporte Clube Parintins.

Momentos marcantes

Foram muitos os momentos que marcaram sua vida no futebol, partidas amistosas fora de casa e muitos gols, já que sua posição em campo era de centroavante. Entre tantos momentos bons e ruins, Ney conta que em uma partida de futebol realizada na cidade de Itacoatiara com um time local, este fazia uma partida espetacular, e já havia marcado gol pela sua equipe quando entrou em campo um jogador pelo time adversário com um único proposito fazer uma falta maldosa que pudesse tirá-lo de campo. “Quando recebi a bola, o jogador que havia acabado de entrar veio com maldade pra cima de mim e me acertou gravemente, sai carregado de maca para fora do estádio, neste momento em que ia saindo minha esposa e meu filho vinham entrando no estádio, este foi um momento que não esqueço porque antes estava jogando bem e depois sair machucado. É uma lembrança boa e ao mesmo ruim”, comenta Ney.

Lembranças

Ele lembra que antes de fazer parte do futebol da primeira divisão jogava na equipe do Santos, uma equipe que pertencia a um grupo chamado Cruzada. Cruzada era um grupo formado por jovens que participavam de novenas e movimentos da igreja e tinha como responsável o irmão Bruno Mascarin, hoje padre. Uma lembrança engraçada foi uma partida envolvendo Amazonas e Esporte Parintins. Esta história Ney nunca contou a outras pessoas, nesta partida o Amazonas vencia de 2 x 0, e um tio de Ney, que era torcedor do Esporte, o tio dizia para o ex-craque quando tinha posse bola: “Eu não vou mais te abençoar”. Em campo ouvia o que o tio dizia e continuava fazendo suas jogadas. No jogo havia também um atleta que lhe marcava acirradamente e não conseguia impedir suas jogadas, e quase no fim do jogo Ney passou perto o jogador e disse: “Agora me acerta”, o atleta atendeu e num lance o acertou, porém, era para o jogador não atingir com muita força e, ele o pegou mesmo pra valer deixando o campo machucado. Por fim, a estratégia era arranjar uma forma de tirar Ney de campo, porque se dependesse da diretoria, ele não seria substituído. O ex-atleta queria mesmo é diminuir o sofrimento do tio torcedor.

Futebol da época

“O futebol do nosso tempo era muito bom, havia muitos jogadores que jogavam bem, verdadeiros craques, os atletas se preparavam bem fisicamente”, estas são palavras de quem fez parte do período bom do futebol na Ilha Tupinambarana. Segundo Ney, os atletas levavam a sério os treinamentos, havia responsabilidade com a preparação antes de jogos pelo campeonato, os atletas se alimentavam bem e, dessa forma as pessoas compareciam em massa ao estádio para prestigiá-los. De acordo com ele, eram poucos jogadores que depois do treino saiam beber.
Para Ney, o time de maior torcida era o Amazonas, nos dias de jogos o torcedor fazia festa no estádio, ele lembra do Dray com seu “teco-teco”, torcedor fanático do Amazonas. Era bom demais naquele tempo o radialista Paulinho Faria entrava nas concentrações e entrevistava os atletas, isso dava mais emoção momentos antes de uma partida.

Futebol hoje

Ney compara o futebol de hoje com o nível muito baixo do que era antes. Segundo ele, deveria ser melhor, diferente da década de 70 e início de 80 os jogos eram acompanhados somente pelo rádio e agora os atletas tem oportunidades de assistir jogos na TV e poderiam aproveitar para desenvolver com mais habilidades algumas jogadas.

Por: Nelselino Santarém
Edição: Edinilson Maciel
Publicado: Em 2014, Jornal Novo Horizonte 


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