O ex-jogador parintinense teve a carreira interrompida por conta de um acidente de trânsito
| Messias Silva (Papagaio) |
Nesta edição contaremos um pouco da trajetória do ex-jogador parintinense que teve a carreira interrompida por conta de um acidente de trânsito. Messias Oliveira, nasceu no dia 12 de agosto de 1970, no Vilarejo da Ribeira, região da Agrovila do Cabury. Aos sete anos de idade veio junto com sua família morar em Parintins, estudou até o ensino médio, fez alguns cursos profissionalizantes. causou-se com dona Lilian Andrade e tem juntos dois filhos, mas ao todo tem cinco filhos frutos de relações anteriores a atual esposa. Também faz parte do Conselho Municipal de Saúde, Conselho Escolar da Escola São José Operário.
Trajetória no futebol
Papagaio iniciou no futebol em 1987 jogando no Juvenil da equipe do Nacional, sua função sempre foi de zagueiro. No Juvenil do Naça foi campeão, ainda no início de carreira teve a oportunidade de jogar contra as equipes principais de Sul América e Esporte Clube Parintins o (Verdão da Cidade), na entrega de faixa. As duas vezes em que enfrentou as equipes, a vitória foi favorável, no jogo contra o Esporte Clube Parintins o placar foi de 2 a 0 para o Juvenil do Nacional na entrega de faixa, depois a equipe enfrentou o Sul América e venceu pelo placar de 2 a 1.
Messias conta que na metade do ano foi convidado a atuar no time principal da equipe do Nacional. Segundo ele, nesse período o jogador Soló, que era titular do time, estava suspenso com cartão amarelo, e por isso, foi convidado a atuar no time do primeiro quadro. “Minha primeira participação na equipe principal pelo Nacional foi atuando num jogo amistoso realizado na comunidade do Mato Grosso, o Nacional foi com os times juvenil e principal, e lá me convidaram para atuar na equipe principal e desde essa minha participação continuei no time”, destaca Papagaio.
Outro time que Messias atuou foi o São Cristóvão, o ex-jogador conta que sua passagem pela equipe foi muito boa, fez muitas amizades. Durante os dois anos que jogou o time do São Cristóvão teve uma chance de ser campeão, porém por uma irregularidade de um jogador a equipe perdeu pontos. “Estávamos com cinco pontos na competição, não lembro bem o ano, fizemos um jogo com o Amazonas e depois um dos dirigentes foi para Manaus e investigou o jogador João Gaguinho. Segundo eles, Gaguinho era atleta profissional e não podia atuar pelo time de Parintins, pois não tinha sido feito os procedimentos legais para liberação do atleta. O resultado disso foi que o time do São Cristóvão foi penalizado com perda de cinco pontos”, comenta.
Ele também teve a
oportunidade de atuar na equipe do Amazonas em partidas amistosas contra
equipes de Santarém como: São Francisco e São Raimundo.
Momentos marcantes
Momentos marcantes para Papagaio foram vários o jogo de sua estreia no time principal foi um momento marcante para ele. De acordo com o ex-craque, desde menino era apaixonado por futebol, algumas vezes deixava de comer para ficar batendo bola e para ir a escola a mãe tinha que ir procurá-lo e mandar estudar.
Outro momento marcante
para Messias foi quando atuou pela equipe do Amazonas jogando contra a equipe
do São Raimundo de Santarém-PA. Para ele, esta partida marcou a sua lembrança
no futebol, porque teve a oportunidade de jogar contra vários jogadores experientes
e bons de bola da equipe paraense.
Futebol da época
“Antes o atleta jogava por
amor ao futebol não importava o time”, Papagaio assim destaca o futebol nos
anos que atuou como jogador. Mesmo sendo um futebol amador os atletas da época
se preparavam com mais responsabilidade para os jogos no estádio. “Fazíamos
física forçada algumas vezes, os atletas saiam da antiga Embratel correndo até
ao aeroporto, também fazíamos física na Av. Paraíba dentro d’agua pressionado
por uma liga de borracha de câmara de bicicleta. Quando era dia de jogo os
atletas estavam bem preparados para enfrentar o adversário e naquele tempo
tinha muitos boleiros (atletas de grande habilidades com a bola), por isso o
futebol era bom”, destaca.
O ex-jogador, conta que
desde que começou no futebol sempre teve bons treinadores como Nivaldo Lima, no
juvenil os treinamentos eram bons e ninguém tinha preguiça para treinar. Os jogos
no estádio eram emocionantes, os torcedores compareciam porque sabiam do
potencial dos jogadores da época. Messias lembra que gostava de jogar quando
estádio estava lotado, para ele era maravilhoso ouvir os torcedores gritarem o
nome do atleta quando fazia uma jogada boa.
Papagaio teve ainda a
oportunidade de jogar e conhecer grandes craques como: Caçapava, Tubarão
(falecido), Adson, Preto, Chiquinho, Dicoloi, Soca, Cleandro entre outros. Também
lembra que nos dias de jogos ficava muito ansioso antes de chegar a hora de
entra em campo e diz que gostava de sentir o cheiro de benguê antes do começo
da partida.
Futebol hoje
O futebol de hoje, para
Papagaio, é um futebol sem vontade e malicioso. O atleta não leva a sério o
trabalho de preparo dentro do futebol e, segundo ele, estas atitudes dos
atletas contribuem para que os torcedores e desportistas deixem de frequentar o
estádio.
Antes, segundo ele, para um jogador passar pelo outro tinha que fazer por merecer, havia compromisso por parte dos atletas. No futebol de hoje o jogador simula muita falta, deixa de jogar para querer ganhar um lance de graça.
Frustração
A pior frustração de
Papagaio foi no ano de 1998, quando andando pelas ruas de Parintins foi
atingido por um carro, dirigido por um motorista bêbado. Com a colisão sofreu
fratura exposta na perna esquerda e foi encaminhado para Manaus para fazer cirurgia.
Depois que retornou a Ilha sentiu muita vontade de voltar a jogar. “Por varias
vezes foi ao campo ver jogos e sempre que via os atletas jogando eu me sentia
triste, eu olhava pra mim e via que estava difícil retornar ao campo e fazer o
que eu mais gosto. Depois de algum tempo fui me acostumando e fui aceitando o
que tinha acontecido comigo”, argumenta.
Quando o ex-craque sofreu
acidente estava com 28 anos de idade, e segundo ele, tinha muitos sonhos de
conquistar títulos jogando pelos clubes da Ilha Tupinambarana.
Papagaio encerra esta história
com uma dica para os jovens atletas: “Levem a sério o futebol, não procurem o
caminho das drogas, as drogas não levam somente para o caminho do mal. Quem
joga com efeito de drogas não é um jogador completo. O necessário e se preparar
bem para que as pessoas possam lhe prestigiar”, finaliza.
Por | Nelselino Santarém
Entrevista: 03 de junho de
2015

