Relembrando Grandes Craques: Francisco Oliveira Cardoso (Chicota)

 

Foto | Chicota/2015

Chicota como é conhecido por todos recebeu o agrado quando ainda era garoto, dado por membros de sua família. Nasceu em 31 de agosto 1948, na região do Zé Açú, mudou-se para a sede do município aos dez anos de idade, onde estudou até a sétima série. Ele atualmente reside com sua nova família no bairro São Francisco, era viúvo e agora vive um novo relacionamento. Com 66 anos de idade e com muita saúde e ainda trabalha com a profissão de pintor.

Começo no futebol

Francisco Oliveira iniciou no futebol da primeira divisão aos 15 anos de idade na equipe da JAC Clube, porém, antes de chegar ao time da JAC, atuou em equipes da segunda divisão como Olaria, que disputava campeonato realizado em um campo onde hoje é o Colégio Nossa Senhora do Carmo. O ex-jogador diz que conquistou dois títulos durante os 18 anos que permaneceu na equipe.

Segundo Chicota, o primeiro título da JAC foi conquistado em 1973 em um mini campeonato denominado de “Copa Dejard Vieira”, foi uma competição que fez uma homenagem ao ex-prefeito Raimundo Dejard Vieira e reuniu todos os times da primeira divisão, também estavam na disputa as equipes do Vasco do Parananema e Santa Maria da Vila Amazônia, todas filiadas a Liga Desportiva de Parintins (LDP).

O segundo título da JAC e o primeiro da primeira divisão foi conquistado em 1981, desta vez, disputando o Campeonato Parintinense de Futebol. Este título foi conquistado diante a equipe do Amazonas.

Francisco, também fez parte da fundação do time JAC Clube. Ele lembra que no início para se formar o time, os jovens se reuniam para momentos de reflexão e louvor e todos participavam de forma intensa. Entre os fundadores ele destaca alguns como: Elpídio Castro, Fernando Castro, Raimundo Muniz, Xisto Pereira (Falecido) e Benjamin Abecassis, que segundo Chicota foi um grande conselheiro do time depois do Padre Augusto Gianola.

De acordo com ele, no início a JAC significava Juventude Alegre Cristã, com o tempo para poder fazer parte da Liga, passou-se a chamar de JAC Atlético Clube. A primeira partida da JAC, segundo o Francisco Oliveira, foi na cidade de Maués contra a seleção local. “Padre Augusto nos levou para fazer uma partida amistosa na cidade do Guaraná, na época tínhamos bons atletas como: Di Mocó que foi o primeiro goleiro, Mário Cid, Ero, Elzinho, Cleuton entre outros”, lembra.

Ele ainda vestiu a camisa Sul-americana em uma turnê que o time Leão Azul da Cidade realizou jogando nas cidades vizinhas de Oriximiná, Óbidos e Santarém no estado Pará. O ex-atleta conta que, quando as equipes saiam de Parintins para realizar partidas amistosas em outras cidades, outros jogadores eram convidados para substituir o jogador na mesma função em campo.

Chicota ainda teve a oportunidade ir para Manaus fazer teste na equipe do São Raimundo, realizou alguns treinos, mas não se acostumou e retornou a Ilha Tupinambarana e atuou na JAC Clube.

Marcantes

Um dos momentos marcantes para Chicota foi quando o time da JAC venceu a equipe do Sul América pelo placar de 9 a 0 em partida válida pelo Campeonato Parintinense de Futebol. Segundo ele, o que contribuiu para que a JAC vencesse pelo placar elástico foi que os jogadores Preto e Jorge Canal (meio campo e centroavante) brigaram entre si e foram expulsos da partida. “A equipe do Sul América com dois homens a menos ficou desiquilibrada e o nosso time completo com grandes craques como: Augusto, Aldary, Fausto, Zacarias, Tinho, Juvino, Mailzo, Cheiro, Nailo entre outros aproveitou bem as oportunidades e deu goleada”, destaca.

Outro momento marcante foi o jogo entre JAC e Itacoatiara, nesta partida sem lembrar bem dos detalhes do jogo, Chicota diz que recebeu um lançamento de Augusto ou Tinho. Ele dominou e foi cruzar a bola para a área, porém a mesma mudou a trajetória e foi para dentro do gol. Placar final do jogo foi 3 a 3. “Eu marquei um gol que nem o Rei do Futebol, Pelé, conseguiu marcar”, disse brincando.

Futebol da época

Para Francisco o futebol de sua época era bom, pois segundo ele, em Parintins tinha muitos craques do futebol e a qualidade técnica dos atletas daqui era de se comparar aos do Sul do país. Ele cita alguns que na sua opinião se destacavam: Aldary, Jorge Canal, Zacarias, Fausto, Romero do Vasco. Onésimo, Joca, Idá (falecido).                                                 

De acordo com ele, no estádio os jogos eram emocionantes, pois o torcedor comparecia em grande número para assistir as partidas. “No estádio eu me sentia um atleta privilegiado vendo o estádio lotado, os torcedores davam valor ao futebol”, disse.                    

Chicota conta que era um jogador disciplinado, apesar de ser um jogador falante dentro campo. Segundo ele, seguia sempre as orientações de Santoca um de seus treinadores que lhe recomendava a jogar e esquecer o árbitro, não adiantaria reclamar se o juiz marcasse uma falta, não adiantaria ir para cima do juiz que ele não desmarcaria o que já tinha sido marcado.

O ex-jogador destaca que para ter um bom desempenho dentro de campo era preciso fazer uma preparação seria. Segundo ele, não ficava dependendo somente dos treinos físicos feito pela equipe, procurava sempre junto com outros amigos a fazer sua preparação extra. “Nossa preparação era boa, nós nos preparávamos bem e não esperávamos por nossos treinadores, gostava de treinos físicos para ficar bem”, comenta.

Chicota durante jogar futebol teve muitos treinadores e lembra alguns como: Dirceu da Fabril, depois Zé Manuel, Santoca, Mirico e Dodó Menezes. Segundo ele, todos foram importantes na sua carreira de atleta.

Futebol hoje

O ex-craque destaca o futebol de hoje em decadência. Para ele, hoje não tem jogador que assume responsabilidade com o time e ao mesmo tempo tem muitos treinadores que ao invés de incentivar o atleta induz ao caminho errado. Alguns prometem bebidas após o jogo e esse gesto, segundo o ex-atleta, contribui para a decadência do futebol.

“Futebol já foi orgulho de Parintins, mas agora está devagar quase parando. O jovem atleta de hoje precisa se dar valor, parar de usar drogas e se dedicar mais no esporte”, conclui.

 

Por | Nelselino Santarém

Entrevista: 04 de junho de 2015

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