Nesta edição contaremos parte da história
de um dos craques do período bom do futebol na Ilha Tupinambarana. “Ainda tive
a oportunidade de fazer parte do final do período bom do futebol em nossa
cidade jogando futebol”, esta uma frase que Kedson Pereira Matos cita com
orgulho. O ex-craque nasceu no dia 30 de março de 1970 na Rua Cel. José Augusto,
Centro da cidade. Casou com dona Carliane Ribeiro dos Santos e juntos têm um
filho. Iniciou duas faculdades, mas devido ter que trabalhar para sustentar a
família teve que trancá-las. Atualmente reside no endereço onde nasceu, está
desempregado há mais de um ano e trabalha de forma voluntária treinando time de
handebol.
Trajetória
Kedson iniciou no futebol aos 18 anos
de idade jogando no juvenil do Esporte Parintins, já aos 19 anos ingressou na
equipe do Estrela do Norte. Na equipe não chegou a ser titular, estava sempre no
banco de reservas, contudo, nesse ano a equipe do Estrela foi campeã.
Depois de uma temporada no Estrela do
Norte, o ex-craque finalmente consegue realizar seu sonho que é jogar no time
do coração, Amazonas Esporte Clube. “O Amazonas é o meu time do coração, desde
garoto eu torcia pelo time, quando eu ia ao estádio e via o Amazonas perder
para o Sul América, eu ficava triste, lembro-me do Paulinho Faria fazendo festa
tocando charanga, quando o Sul América vencia e eu olhava a torcida do Amazonas
saindo do estádio triste. Quando entrei na equipe para jogar foi um sonho realizado
para mim”, destaca. Na nova equipe atuou um período de nove anos e conquistou
um título que ele denomina de arquibancada.
Após um período na equipe Coral da Cidade,
Kedson passou a atuar na equipe do Nacional, na nova equipe jogou num período
de um ano, porém não conquistou título. Terminada a temporada no Nacional o ex-jogador
retornou ao time do coração e permaneceu jogando por mais um período de quatro
anos, sem conquistar títulos.
E como dizem na gíria do futebol: “O
futebol tem suas surpresas e vira voltas”. Kedson que tinha o Sul América como
rival, tanto quanto jogador e torcedor, agora era atleta contratado da equipe
considerada por ele adversária. “Quando entrei para o Sul América fui muito bem
acolhido pelos diretores da equipe e logo aquele sentimento de rivalidade foi
diminuindo”, relata. Na equipe do Atlético Sul América ele atuou num período de
três anos, e no ano de 2005 conquistou um título ao vencer a equipe do Esporte
Clube Parintins, time que lhe abriu as portas para o futebol, atuando no
juvenil.
Também foi convocado duas vezes para
atuar pela seleção parintinense de futebol, contudo não pode jogar em nenhuma
das convocações devido ao trabalho que não lhe abria espaço para treinar. “Sem
treinar não poderia viajar para jogar, não era justo todos treinavam e eu não,
então não viajei com o grupo”, diz Kedson.
Durante sua trajetória no futebol
Kedson pode atuar junto com vários outros carques do futebol parintinense. No Sul
América jogou junto com “Cupido” um dos atacantes mais rápido da história do
Sul América
Momentos
marcantes
Para Kedson foram vários os momentos
marcantes durante o tempo que esteve jogando futebol, entre eles destaca uma
partida entre a equipe do Amazonas e São Raimundo de Santarém em uma promoção
que a Rádio Alvorada realizou. Nesta partida as duas equipes estavam empatadas
no placar de 1 a 1, e próximo ao final da partida o jogador Delmo sofreu um
pênalti. “Estava todo mundo nervoso, ninguém queria bater o pênalti, peguei a
bola e executei a cobrança e fiz o gol, com o placar de 2 a1 vencemos a
partida, este é um momento que não me esqueço, até porque no final do jogo as
pessoas vinham me agradecer, isso é muito gratificante”, conta.
Outro momento marcante foi à conquista
do título pelo Sul América. Para o ex- atleta a conquista do título pelo time
sul americano foi importante não só para ele que estava com 35 anos de idade,
mas para o Sul América que quebrava um jejum que duravam 10 anos sem conquistar
títulos. “Lembro-me que nessa conquista o Paulinho Faria disse que mandaria
fazer uma placa com nomes de todos os jogadores que fizeram parte dessa
conquista e colocaria no estádio”, lembra.
Futebol
da época
Ele conta em sua época o futebol era
melhor, porque as pessoas com condições financeiras ajudam o esporte local e
havia mais incentivo por parte dos torcedores. De acordo com ele, os atletas
eram mais responsáveis em seus treinamentos e as equipes eram organizadas.
“Antes para um atleta conseguir uma vaga em uma equipe considerada grande era
bastante disputada, o atletas tinha que participar de todos os treinos, seja físico
ou com bola e um dos pontos mais importantes era a preparação física, quem não
tivesse bem fisicamente era difícil até de pegar camisa de reserva”, disse.
Futebol hoje
“Penso que o futebol sofreu algumas
influências que fez com que decaísse, mas o futebol não está acabado, o que
falta é mais motivação”, destaca Kedson. Na sua opinião o festival folclórico
influenciou para a decadência do futebol na Ilha. Segundo ele, as pessoas
prestigiam mais o festival que o futebol. Ele faz um comparativo com outras
cidades quando realizam eventos esportivos ou partidas amistosas, o público
comparece em grande número.
Ele ainda acredita no retorno do
futebol parintinense, mas têm suas conclusões. Segundo ele, quando as equipes
tiverem organizadas, o campeonato vai pra frente, porque o torcedor percebe
isso e vai ao estádio. “Hoje ficou mais fácil um atleta ingressar em uma equipe
grande, hoje não tem mais as cobranças que tinha antes. Penso também que o número
de equipes para o campeonato local deve ser de no máximo 10 times, sendo assim
ficara mais competitiva”.
O ex-jogador reconhece que aqui têm
muitos jovens que podem ajudar a reerguer o futebol na Ilha Tupinambarana, só
depende do compromisso de cada um.
Momento engraçado
Em uma partida jogando pela equipe do
Estrela do Norte, num lance dentro da área, a bola veio por cima e com as mãos Kedson
pegou a bola, recebeu cartão vermelho e foi expulso do jogo, mesmo com a
expulsão sua equipe venceu o jogo. Para você entender o porquê da atitude do
atleta e que Kedson também foi atleta de Handebol e na época também treinava a
modalidade. Ele conta que naquele lance o que passou na sua cabeça foi que
parecia que estava jogando handebol e, por isso, por um momento esqueceu e
pegou a bola com a mão. Naquele instante ninguém entendeu, depois do jogo teve
que explicar tal situação.
Por: Nelselino Santarem
Postado: Em 2015, NH





