Rosinaldo
Rodrigues Carneiro (Carneirinho), nasceu na comunidade do Saracura (Parintins) em
19 de julho 1965. Com sete anos veio para a cidade estudar, seu primeiro educandário
foi à escola Ana Rita de Freitas onde cursou os primeiros anos, mais tarde
estudou na escola São José Operário onde concluiu o segundo grau. O agrado de “Carneirinho”
foi dado por torcedores e repórteres de rádio, uma vez que, era de estatura
baixa e tinha o corpo franzino e, por ser irmão do jogador Carneirão (falecido).
Carneirinho
casou-se com 15 anos, com dona Aldemira Oliveira Carneiro e como fruto do casamento
tem três filhos, sendo duas mulheres e um homem, porém ao todo o casal tem
quatro filhos sendo o último filho adotivo.
Atualmente o ex-craque
reside a Avenida Nações Unidas onde trabalha como artesão, ainda continua
casado com dona Aldemira e juntos administram os negócios, que são a venda de
produtos artesanais.
Trajetória
Carneirinho
iniciou no futebol com treze anos de idade jogando na equipe do Nacional, porém
aos quatorze anos passou a titular da equipe. Na equipe nacionalina permaneceu
até os quinze anos de idade e em 1981 sua equipe chegou a final do campeonato,
mas perdeu o título para o Sul América. O ex-jogador conta que nessa partida não
atuou porque estava em Manaus fazendo teste na equipe juvenil do Rio Negro.
Em 1982, já
com 16 anos passou a integrar a equipe do Amazonas, na equipe Rubro Negra atuou
num período de dois anos e conquistou dois títulos, sendo bicampeão. Na
conquista de 1983, o título foi antecipado e invicto.
Rosinaldo
conta que para sair do Nacional e ir para o Amazonas a diretoria negociou seu
passe com o Nacional com chuteiras, dois jogos de camisa e bolas.
“A equipe do
Amazonas em 1983 formou o melhor time daquele ano tinha jogadores como: Carneiro,
Fabi, Ismael entre outros. o time venceu todos os jogos, inclusive as partidas
amistosas que jogou”, destaca.
Após duas
temporadas na equipe Rubro Negra e dois títulos conquistados, Carneirinho deixou
o futebol parintinense e foi para a cidade de Itaituba no Pará. Na cidade
paraense permaneceu por um tempo de 10 anos de 85 a 95. Durante o período que
permaneceu em Itaituba conquistou um titulo jogando pela equipe do Itaituba e
dois títulos pelo Auto Esporte, equipe pertencente a cidade. O ex-atleta ainda disputou
outras competições importantes como a “Copa Ouro” ganhando três títulos.
Passada a
temporada na cidade paraense, Carneirinho retornou a Ilha Tupinambarana, e logo
ingressou na equipe da JAC Clube, onde jogou dois campeonato. No primeiro ano
na equipe colorada o time chegou a final, porém perdeu o título para a equipe
do Sul América. No segundo ano de disputa encerrou a carreira de jogador,
também não jogou as últimas partidas pelo JAC e nesse ano a equipe foi campeã.
Após deixar o
futebol Carneirinho fez parte da Seleção Parintinense de futebol como auxiliar
técnico, trabalhando com o técnico do Kirk Douglas conquistou o tricampeonato
ganhando de Benjamin Constant pelo placar de 3 a 1, gols marcados pelo jogador
Adson, a partida realizada em Manaus.
Momentos marcantes
Foram muitos
os momentos marcantes durante a carreira de jogador da primeira divisão. O melhor
momento da vida de Carneirinho, segundo ele, foi um amistoso contra o Fast Club
de Manaus. Segundo o ex-craque dias antes da partida estava em Manaus fazendo
um teste na equipe do Rio Negro, de acordo com ele, passou em todos os testes
que foram muito fáceis. Depois começou a treinar, no entanto, encontrou um manauara
que lhe perseguia de todo jeito, seja batendo nos treinos ou lhe chamando de
comedor de jaraqui, índio entre outros. Com poucos dias Rosinaldo retornou a
Parintins e participou de uma partida amistosa jogando pelo Sul América contra
uma equipe da cidade de Óbidos do Pará. Na semana seguinte o Nacional foi para
Manaus fazer uma partida amistosa contra o Fast. Carneirinho conta quando
chegou no estádio a primeira pessoa que viu foi o dito cujo que havia lhe dado
vários apelidos e lhe humilhado. Rapidamente combinou com seus companheiros
para fazerem algumas jogadas em cima do tal jogador. Não foi diferente do
combinado, Carneirinho conta que fez muitas jogadas em cima do atleta e no
final o Nacional venceu o jogo, por fim a jogador veio até ele e pediu
desculpas. “Não posso me esquecer aquele dia, todo o time do Fast veio comigo e
pediu para eu ficar jogando no clube. Aquele jogador veio comigo e me pediu
desculpas, ele reconheceu que eu era bom de bola”, comenta.
Outro momento
marcante foi uma partida amistosa contra o São Raimundo de Santarém, o jogo foi
na cidade paraense. Rosinaldo conta que quando o Amazonas chegou à cidade
mogoronga, os torcedores vaiavam e diziam que o time não aguentaria o time
local. Os torcedores de São Raimundo diziam tais coisas porque o time local
havia vencido partidas amistosas jogando contra o São Paulo, Goiás e outras
equipes, mas quando o Amazonas entrou em campo mostrou a força do futebol parintinense
e fez 1 a 0, gol marcado pelo Ney (pai do Delmo). “O São Raimundo só empatou o
jogo porque o juiz ajudou e não marcou impedimento claro e eles fizeram o gol,
com resultado a diretoria do time deles queriam contratar metade do nosso time,
essa é também uma lembrança que nunca esquecerei”, finaliza.
Futebol da época
“O futebol era
tão bom, mas tão mesmo que os técnicos tinham dificuldade de formar a seleção,
naquele tempo havia muitos jogadores bons, muitos craques”, Rosinaldo define
assim o futebol de época. Segundo ele, o medo dos técnicos que comandavam a
seleção era de cometer injustiças na hora de convocar atletas. Para
Carneirinho, na década de 80 o futebol de Parintins ainda era muito prestigiado
pelos desportistas de Parintins e de outras cidades, os atletas eram bons e
tinham condições de ser titular em qualquer equipe do Brasil.
“Como era bom
assistir um jogo no estádio e ver um ataque do Sul América com “Cupido”, César
e Cavuca, era magnifico. Por outro lado não importava o valor do ingresso, o
torcedor comparecia para prestigiar o futebol. O ex-jogador lembra ainda que o
gramado do estádio era “pior” do que hoje, antes havia muitos buracos e areia e
pouca grama, mas o futebol era bom”, destaca.
Para
Rosinaldo o futebol de hoje está desconhecido, atualmente não se conhece os
novos atletas, diferente de antes o jogador era conhecido pelo que jogava
dentro de campo. “Falta apoio dos empresários, no meu tempo eles ajudavam o
esporte e hoje que tem mais comerciantes na cidade falta esse apoio”, comenta.
Por: Nelselino Santarém
Postado: Em 2015, Jornal Novo Horizonte



