RELEMBRANDO GRANDES CRAQUES: JAIME FERREIRA O (LAMPARINA)



Jaime Ferreira, o “Lamparina” é o nosso craque desta edição. Natural de Parintins. Para manter a jovialidade, ele disse que não gosta de revelar a idade. Estudou o primário no grupo escolar Araújo Filho. O bom aluno, ainda lembra o nome de sua professora Anita Freitas – “uma morena atenciosa”, afirma o craque. Casou-se com Dona Ilda Nogueira, dessa união tiveram oito filhos. Atualmente é aposentado e reside no mesmo endereço onde nasceu na Rua Leopoldo Neves, Centro de Parintins.

Começo

Iniciou sua jornada no futebol ainda jovem, aos 16 anos de idade. Jogou nos clubes como: Vasco da Gama da comunidade do Parananema, entre outros que eram formados na época para disputar campeonatos que não eram realizados pela Liga. Após todas as andanças pelos times da região, ingressou no primeiro clube da primeira divisão que foi o Nacional, no qual atuou por seis anos. No clube conquistou apenas um título. Logo após foi para o Atlético Sul América Clube, permaneceu no time por cinco anos.

No Amazonas Esporte Clube jogou quatro anos. Em todos esses times chamados de “Grandes” conquistou títulos. Por fim, teve o privilegio de jogar dois anos na equipe do São Cristóvão e dois anos na equipe dos Marianos.

Momentos marcantes

Para o ex-craque todos os momentos de sua vida como atleta foram marcantes. Sempre que tinha jogos amistosos contra equipes que vinham de outras cidades. Sempre estava incluso como titular nas equipes que defendiam. “Eu era jogador que não fazia gols, mas armava jogadas para meus companheiros e os deixavam livres só para fazerem os gols”, lembra. Lamparina diz que, quando jogava começava sempre como lateral direito, depois mudava de posição indo para o meio de campo e terminava o jogo sempre como ponta esquerda. Outro momento que marcou sua vida foi quando os responsáveis do Sul América, recentemente lhe convidaram para participara da festa de reinauguração do estádio.

Futebol da época

“O futebol da época era bom, os times de Manaus e Santarém vinham aqui e voltavam com derrotas para suas cidades. Tinha um porém, toda vez que tinha jogos amistosos dava renda e as equipes ao retornarem levavam metades do dinheiro e deixavam metade para o time que realizava o jogo. Era bom demais naquela época. As pessoas faziam barulho fora e dentro do estádio nos dias de jogos. Nos dias de decisão tinha festa, Leleu e Siríaco, saiam tocando clarinete, eles faziam a festa nos dias de jogo decisivos. Para comprar ingresso tinha que ir cedo para a fila, porque se demorasse muito ficava de fora do estádio”, conta.

Futebol hoje

Para Jaime, o futebol de hoje não tem mais, segundo ele o estádio seria um “hospício” hoje, porque não tem mais futebol. “Os jovens de hoje não querem nada, a bebida estraga os atletas. Antes, a gente se preparava com responsabilidade, a gente trabalhava de estivador e cedo, cinco horas da manha, saia para correr. Dava cinco, seis voltas no quarteirão próximo ao estádio”, comenta.

Dicas de seu Jaime

Durante sua vida no esporte aprendeu e ensinou algumas técnicas para se jogar bem. Aproveitando a oportunidade de poder falar de esporte, o craque dá algumas dicas para quem busca jogar bem e vencer o adversário: Primeira dica é estudar o adversário, seja no coletivo ou individual. “Toda vez que driblar um jogador, observar qual é o lado que ele chuta e então o corte no jogador deverá ser feito pelo lado oposto que ele chuta. Outra dica é: não se deve driblar no meio de campo, o local apropriado para se driblar é na entrada da área, ou melhor, dentro da área, porque se o adversário lhe derrubar é pênalti”, relata.

Historia de seu “Lamparina”
Lamparina diz que jogou junto de grandes atletas como Raimundo Reis (ex-prefeito), Boda, Jararaca entre outros. Enquanto jogador nunca atuou na Seleção Parintinense de futebol. De acordo com o ex-jogador por motivo de evitar problemas, se a equipe viesse a perder, quando o time perdia todos reclamavam. Ele também se lembra de sua viagem pelo Baixo Amazonas. De Alenquer trouxeram o Sacurá. De Oriximiná trouxeram Mota e Jurandir, todos para jogar no Nacional.
Aproveitando bem a memória do ex-atleta, ele se lembra de uma partida em que jogou contra a equipe de Maués. No primeiro jogo aqui em Parintins um jogador chamado “Lofote” lhe deu um “banho de cuia” (lance típico de jogo) e a turma pegou-lhe o pé. No jogo da volta em Maués perguntou ao seu treinador se ia entrar jogando e o técnico lhe respondeu que sim. Em um lance de jogo certo que deveria dar o troco no atleta que havia lhe dado um “banho de cuia”, aproveitando bem um lance pôs duas vezes a bola por baixo da perna do jogador – vingando por seu feito. Resultado disto, foi que o adversário lhe deu uma “porrada” nas pernas por trás. No final da partida, Parintins ganhou de 2 a 0 e em seguida a delegada da cidade pediu que eles embarcassem no barco e fossem tomar banho do outro lado do rio.
Jaime Ferreira, conta que a área que compreende a sua casa e o terreno onde está construído o prédio da Rádio Alvorada e a Gráfica XXIII era de seu pai Antônio Charuto, quando faleceu deixou como herança a seis irmãos. Ele conta que, certo período viajou para a cidade de Urucará e quando voltou seus irmãos já tinham vendido para Dom Arcângelo. O que lhes deixaram foi um terreno de dez por trinta. 

Por: Nelselino Santarem
Postado: Em 2014, Jornal Novo Horizonte

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