RELEMBRANDO GRANDES CRAQUES: EDMAR GADELHA DA SILVA (MAZINHO GADELHA)


Nesta edição contamos a você, um pouco da historia de um dos fundadores de dois grandes times parintinenses o Sul América e Estrela do Norte.  Edmar Gadelha da Silva, o “Mazinho Gadelha”, nascido em 21 de março de 1929, na Rua Paz de Andrade, Centro de Parintins. Estudou o primário no grupo escolar Araújo Filho, escola como era conhecida naquela época. Casou-se aos 22 anos com Dona Maria Lila Barbosa da Silva, e desta união tiveram onze filhos, sendo seis homens e cinco mulheres. Hoje aos 85 anos de idade continua morando no mesmo endereço onde nasceu. Mora com sua esposa, filhos e netos.

Começo no futebol

Iniciou no futebol ainda adolescente aos dez anos. Treinava no América, União e Vitória (primeiros times de Parintisns). Segundo Mazinho, naquela época o futebol era pesado os atletas jogavam com muita força e até com excesso. “Meu pai não me deixava jogar de forma definitiva nessas equipes por conta de ser pesado demais, todos vinha pedir dele e ele dizia não”, destaca. Ele lembra que o campo onde treinavam ficava onde está atualmente o colégio Nossa Senhora do Carmo.
Aos 19 anos e em 1948 ajudou a fundar a equipe do Sul América. Ele conta que trabalhava fazendo vendas para comprar equipamentos para o time. Neste mesmo ano foi realizada a primeira disputa oficial do campeonato em Parintins e o Sul América Foi campeão.

Novo clube

Depois de fundar e disputar alguns campeonatos pela equipe Azulada da cidade viajou para Manaus onde atuou dois anos na equipe União Portuguesa – não conquistou títulos pela equipe. Passados os dois times foi para a equipe do Princesa Izabel onde disputou três campeonatos e conquistou um vice campeonato. Após esse período na capital retornou a Parintins, onde passou a jogar pelo Nacional, atendendo o pedido do Dr. Idelfonso – Delegado de Parintins na época. Passou uma temporada que durou seis anos e nesse período conquistou apenas um titulo pelo novo clube.

Momento marcante
Para o Ex-craque um dos momentos marcantes de sua vida no futebol foi quando em uma partida amistosa entre Sul América e Princesa Izabel de Manaus, em Parintins. “Nessa época jogava de ponta esquerda no Sul América, o estádio estava lotado. O primeiro tempo de jogo terminou em zero a zero. Começou o segundo tempo e nada de gols, e nos minutos finais do segundo tempo o jogador Terêncio - que era bom de bola – iniciou uma jogada balançando a defesa do Princesa. Ele chutou a bola e foi na trave e no rebote sobrou pra mim que chutei e foi no cantinho e vencemos a partida”, lembra Gadelha.

Momento frustrante

Edmar tem em sua lembrança um momento que lhes deixou frustrado. Sem lembrar o ano, diz que em uma disputa entre seleções “A” e “B” de Parintins e Manaus, na última partida foram “roubados” pelo arbitro da partida de nome Pereira Serra. “Eu nunca me esqueço do arbitro e do jogo, ganhamos um jogo e perdemos o outro, tudo porque o árbitro da partida mandou voltar duas vezes a cobrança de pênaltis que o nosso goleiro havia defendido. Nosso goleiro era bom. Era o Mateus, ele defendeu duas bolas e todas o Pereira mandava voltar. Ele alegava que o Mateus se mexia antes da cobrança, mas isso não procedia. O arbitro só parou quando a equipe de Manaus fez o gol e perdemos o jogo”, comenta

Futebol hoje

“Acho que o futebol hoje caiu, está fraco. Não posso dizer o que aconteceu ou o que está acontecendo. Atualmente, temos muitos jovens em nossa cidade, diferente daquele tempo. Mas acho que contribui para a decadência é forma como os jovens se comportam; as bebedeiras, fumo e uso de entorpecentes prejudicam os atletas de hoje. Antes, nosso futebol era bom os times de outras cidades vinham e quando não perdiam, empatavam. A gente bem pouco perdia um confronto com outras equipes”, recorda.

Um pouco mais

Edmar Gadelha o “Mazinho” após ajudar fundar a equipe do Sul América e como descrevemos no início, fazia vendas para adquirir matérias para o time. Em 48 foi procurado por Pompilho Cidade, que na época era presidente do Nacional, lhe deu a ideia de procurar uma pessoa que lhe pudesse ajudar a organizar o clube. “Vamos disputar o primeiro campeonato e você precisa de alguém para assumir a presidência do Sul América”, foram às palavras de Pompilho a Gadelha.

A procura começou para encontrar o presidente do time, a primeira pessoa a ser procurada foi o Sr. Luiz Souza, porem ao chegar a casa de Luiz foi recebido por ele com a noticia de que acabara de aceitar a presidência do Amazonas. A próxima pessoa a ser procurada foi Raimundo Soares Almada. “Fui bem recebido por ele, e logo marcou um encontro no salão da prefeitura com todos os atletas e pessoas ligadas ao clube. Falamos o que queríamos e logo aceitou, e lá mesmo fizemos uma votação para a escolha da cor da camisa. Alguns votaram nas cores do Vasco outros no Fluminense e a maioria escolheu a cor azul marinho. Fiquei satisfeito com a atitude dele, Raimundo Almada foi nosso primeiro presidente”, comenta Mazinho.

Passados anos já aos 36 seis anos aproximadamente, lembra o ex-craque, que juntamente com outros amigos teve a ideia de fundar outra equipe e foi então que fundaram a equipe do Estrela do Norte. “Na época teve um desentendimento no Amazonas e alguns jogadores completaram o time. Del Garcia também contribuiu”, conclui. (NS)

Por: Nelselino Santarem
Postado: Em 2014, Jornal Novo Horizonte

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