Josias
é cearense e nasceu no dia 26 abril de 1962. Chegou a Parintins com
aproximadamente quatro meses de vida trazido pelo pai. Não demorou muito seu
pai casou e logo Josias ganhou uma nova mãe. O primeiro endereço foi a Rua
Jonathas Pedrosa, Centro da cidade. Estudou, quando adolescente, no Grupo
Escolar Araújo Filho, anos mais tarde foi para a Escola Estadual Senador Álvaro
Maia e encerrou o ensino médio no Colégio Batista. Cursouo ensino superior na
Universidade Estadual do Amazonas (UEA), na área de Normal Superior. Trabalhou
alguns meses dando aula, mas desistiu por não se adaptar a profissão de
professor. Casou-se aos 21 anos com dona Fátima de Jesus Silva Nascimento e têm
três filhos, sendo dois homens e uma mulher. O casamento já dura 29 anos. Hoje,
com 56 anos, Josias está desempregado e reside na Estrada do Macurani, Conjunto
João Novo Bloco II.
Trajetória no futebol
Josias
iniciou no juvenil do Atlético Sul América Clube aos 16 anos de idade, com o
tempo passou a fazer parte do time principal. O ex-craque conta que para fazer
parte da equipe principal do time foi preciso o desportista e sulamericano
Paulinho Farias pedir autorização da mãe dele para que permitisse atuar na
equipe. Na época Josias era menor de idade e tinha que ter consentimento dos
pais para jogar. Na equipe sul-americana o ex-jogador atuou pouco tempo e não
ganhou título jogando no time principal.
Com
a maioridade, Josias viajou para Manaus para servir o exército, tempos depois
retornou para Parintins e foi procurado por Wilson Camaleão (hoje falecido)
para atuar no Corinthians, a partir de então passou a treinar na equipe. “Nessa
época, eu e Armandão fomos revelados ao futebol parintinense jogando na equipe
do Corinthians. Fiz muitos amigos e até hoje tenho carinho por lá”, comenta. O
ex-atleta permaneceu um período curto na equipe.
Com
o bom futebol desenvolvido no Corinthians houve interesse da diretoria do
Amazonas pelo jogador e logo a diretoria rubro negra fez contato para
contratação. Naquela época, para fazer transferência de um jogador para outra
equipe, tinha que ter consentimento do clube de origem, caso contrário, teria que
haver uma negociação. Aderaldo Coalhada era o treinador do Amazonas, negociou o
passe de Josias e Armandão com 24 pares de chuteiras. Na equipe do Amazonas,
Josias jogou um período de dez anos e foi Bicampeão Parintinense.
Por
fim, após crise no Amazonas,Josiase outros atletas foram para a equipe do
Estrela do Norte e formaram, segundo ele, um “supertime”. Entre tantos estavam:
goleiro Fernando (falecido), lateral direito Arildo, lateral esquerdo Dicoloy,
zagueiros Josias, Calango, meio de campo Preto e centroavante Carneirão. Josias
encerrou sua jornada no futebol na equipe do Estrela.
Depois
que parou de jogar o ex-atleta não abandonou o futebol, dirigiu o Amazonas por
uma temporada e fez parte do quadro de arbitragem da Liga Desportiva de
Parintins (LDP).
Momentos marcantes
Para
Josias um dos momentos marcantes foi uma partida realizada contra a equipe do
São Raimundo de Santarém (PA). Segundo ele, o time paraense veio a Parintins e
venceu o Amazonas por1 x 0. No jogo de volta na cidade santarena, o Amazonas
empatou em 1 a 1, com o gol de Ney. O ex-craque atuou na partida como zagueiro
central junto com o atleta conhecido como Pompinho. Nesse tempo, a equipe do
Amazonas tinha muitos jogadores jovens como: Carneirinho, Ismael, Cavalinho,
Balão, Fabi, Armandão e Fernandão.
Frustração
Como
todo jogador, aquele que é profissional ou amador tem lá seus momentos que
casam com o que deseja no futebol. Josias guarda na lembrança um de seus
momentos. “Minha estreia em Parintins foi jogandode zagueiro no Sul
Américacontra a equipe de Urucará. Um jogador pôs uma bola no meio da minha
perna e o outro jogador fez o gol, fiquei frustrado com aquele lance logo
naminha estreia ter dado vexame”, conta.
Futebol da época
“Todos
os jogos dava vontade de jogar, porque dava muito torcedor. A torcida
comparecia em massa ao estádio para dar apoio a sua equipe”, estas são palavras
de um ex-craque referindo-se ao futebol de sua época. De acordo com ele,
naquele tempo era difícil pegar uma camisa, para conseguir vestir camisa de
titular tinha que ser bom. “Eu participei de vários jogos no banco de reservas
e ainda como terceira opção. Mas sempre assumi minha responsabilidade no
Amazonas ou em qualquer outra equipe, nunca faltei um treino e física. Tínhamos
treino cinco horas da manhã e o nosso preparador físico era o Nelson Brasil.
Após o treino íamos tomar vitamina e depois íamos para casa. Nosso time era
rápido nessa época porque nosso trabalho era sério no time”, revela.
Segundo
ele, mesmo quando tinha jogo com uma equipe pequena, o número de torcedor no
estádio era grande. O time grande chamava o torcedor. Para ele, os maiores
clássicos eram os jogos entre as equipes de Amazonas, Sul América e Nacional.
Futebol hoje
Hoje
o jovem não tem mais responsabilidade, conta Josias. “Hoje o futebol é amador e
antes não tinha muitos campeonatos de bairros. Os atletas participam de vários
times, eles jogam de manhã, tarde e noite e quando são preciso em uma equipe da
primeira divisão já não atuam porque estão esgotados”, conta.
Para
Josias, o Futebol precisa de apoio por parte dos empresários. O ex-jogador
lembra que antes o empresariado sempre ajudava as equipes e agora não se vê
interesse por parte da classe. “Eu ainda acredito no retorno do futebol
em nossa cidade, aqui temos muitos jovens bons de bola, percebemos isso na Copa
Incentivo”, finaliza.
Postado: Em 2015, JNH

