RELEMBRANDO CRAQUES CRAQUES: GELSON GOMES DE MELO AZEDO O “GELSON AZEDO”


Nesta edição do quadro “Craques do Passado”, contaremos um pouco da trajetória no esporte de Gelson Gomes de Melo Azedo, o “Gelson Azedo”. O ex-craque nasceu em 13 de maio 1949, na Rua Gomes de Castro, Centro de Parintins, e é descendeste de Paraibano. Estudou nos Colégios Batista e Nossa Senhora do Carmo, considerado por ele os melhores de Parintins e,. em 1972 se formou como Técnico em Contabilidade. Aos 20 anos e no dia 24 de dezembro de 1969 casou-se com dona Francisca Pinheiro Azedo, natural de Nhamundá e juntos tiveram quatro filhos, sendo três filhas mulheres e um homem. Gelson exerceu a função de tesoureiro do município de 1989 a 1992, na primeira administração do ex-prefeito Enéas Gonçalves, na segunda de 2001 a 2001 foi diretor do SAAE de Parintins e na gestão do Governador Omar Aziz, assumiu o porto de Parintins de 2006 a 2012 - SNPH. Atualmente, está aposentado e segundo ele, esta muito bem com a nova atividade da vida.
Início
Iniciou sua trajetória no futebol na Ilha Tupinambarana aos 16 anos de idade, no juvenil do Amazonas Esporte Clube. Na época as equipes trabalhavam o time de base e nos meados de 1966 passou a titular do time Rubro Negro onde permaneceu como atleta até 1970. Nos anos de 1971 e 1972 deixou o Amazonas e passou a defender a equipe do Nacional. Voltou ao Amazonas em 73 e permaneceu até mais ou menos, segundo ele, entre os anos de 78 a 80. Gelson conta que para treinar tinha que “fugir” para ir aos treinos. Seu pai era um homem evangélico e por isso, não aceitava que o ele participasse de atividade contrária às determinações da igreja dele. Para ter liberdade foi preciso dois de seus primos Isaías e Ivanildo Azedo pedirem de seu pai para poder treinar e jogar pelo Amazonas, time do coração dos primos.
Conquista
Como atleta Gelson conquistou títulos pelo Amazonas, seu primeiro título foi em 1968 num confronto contra o Sul América, a equipe naquele ano tinha com presidente o Dr. Romualdo Correa. Outros títulos pelo Amazonas não tem na lembrança. Na equipe do Nacional conquistou um titulo em 1971, apesar de ter atuado pela equipe pouco tempo. Pela Seleção Parintinense conquistou dois títulos em 1973 e 1975. O primeiro título pela Seleção Parintinense foi conquistado em Itacoatiara diante da seleção local e o segundo em Manaus, no estádio Vivaldo Lima novamente contra a Seleção de Itacoatiara.
Conquista/treinador
Depois que parou de jogar Gelson não abandonou o futebol, por ter sido um atleta de técnica, determinado e de grande influência no esporte passou a ser treinador. O Amazonas foi sua primeira equipe a desenvolver o trabalho como diretor e auxiliar técnico. Esse novo trabalho iniciou em 1982 junto com o treinador Parrudo, o trabalho continuou em 83 e 84 quando o Amazonas conquistou o título, sendo o primeiro como auxiliar técnico. Outros títulos conquistados foram em 88 e 89. O ex-craque também foi treinador da Seleção Parintinense de Futebol por várias vezes, mas não conquistou títulos. Gelson Azedo era um treinador exigente para com seus jogadores. “O jogador que não gostava de fazer preparo físico, eu deixava de fora dos jogos pra mim era importante". Trabalhou com Nelson Brasil, preparador físico e Tristão e o auxiliar técnico era Dodó Menezes.

Momentos marcantes
Para o ex-jogador, vários foram os momentos marcantes de sua vida no esporte parintinense, entre eles está a conquista do título jogando pelo Nacional em 71, quando o time derrotou o Sul América. “Nesse ano o Nacional tinha o melhor time da competição nessa temporada, o Nacional tinha jogadores brilhantes como Teco, Sacurá e Jurandi, um dos melhores que apareceu em Parintins”, destaca.
Outros momentos marcantes foram às conquistas dos títulos do Intermunicipal em 1973 e 75 jogando pela Seleção Parintinense de Futebol. Em 73, a seleção ganhou nos pênaltis a Seleção de Itacoatiara, no tempo normal o placar foi zero a zero. “O time saiu de campo a pedradas pelos torcedores do time local e na saída do estádio o prefeito da época Benedito Azedo, que acompanhava a seleção, recebeu uma pedrada na cabeça. Mas foi maravilhosa essa conquista, ainda mais dentro do campo do adversário”, comenta. Em 1975, outra conquista marcante dentro do Vivaldão, a seleção venceu novamente Itacoatiara, também nas cobranças de pênaltis, e o último pênalti foi cobrado por Gelson, dando o título a Seleção Parintinense. Como treinador também teve muitos momentos marcantes.

Futebol da época
“Parintins viveu momentos marcantes no futebol, principalmente nos dias de jogos clássicos. Na época o futebol era muito bom o povo comparecia ao estádio para prestigiar e dá apoio a seus clubes. Havia torcedores fanáticos como João Novo (falecido) torcedor do Sul América que leva para o estádio o seu bode enfeitado, Pirolote e Moisés Dray, torcedor do Amazonas, o homem do Teco-Teco.
Antes tinha motivação e organização nos campeonatos, e para ir ao estádio tinha que ir cedo, se deixasse para ir tarde não tinha mais espaço. Quando tinha clássico desde as primeiras horas a cidade ficava movimentada, as pessoas saiam com bandeiras e até pião roxo pelas ruas, era uma festa o futebol na década de 60, 70 e 80”, declara Gelson.
Para o ex-atleta o diferencial do futebol de antes era o preparo físico dos jogadores. Ele lembra que antes caminhavam a pé do campo do Vasco (agora o aeroporto) até o antigo trapiche do porto. “Nossa preparação era séria, tínhamos que está bem preparados para os jogos, aprendi isso como jogador e depois apliquei como treinador”, destaca.
Futebol de hoje
“Hoje tem um estádio bem melhor para a prática do esporte em Parintins. Antes tínhamos um estádio que não oferecia condições, tinha até valas no meio do campo e mesmo assim o futebol era bem melhor. Não sei o que acontece hoje, recentemente fui ao estádio ver uma partida de futebol e vi muitos jovens que jogam bem, só falta fazer um trabalho melhor com eles”, comenta Gelson.
Na opinião do ex-craque o número de equipes participantes no campeonato parintinense deveria ser de oito times, segundo ele, isso daria mais competitividade ao evento. Para finalizar o que falta também no futebol local e mais incentivo por parte de todos os segmentos. Ele lembra que antes até os médicos se introduziam nas equipes e ajudavam, como foi o caso do Dr. Jofre Cohen que era paraense e se dedicou ao esporte parintinense.
Entrevista: Repórter Nelselino Santarém
Edição: Jornalista Ednilson Maciel
Fotos: Arquivo Pessoal
Publicado: Jornal Novo Horizonte/2014

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